A campanha do governo pelos pa�ses vizinhos para divulgar o padr�o de TV digital escolhido pelo Brasil continua dando frutos. Nesta segunda-feira, 14 de setembro, o Minist�rio das Comunica��es anunciou duas novas ades�es ao sistema nipo-brasileiro de transmiss�o digital de TV. Enquanto a c�pula do governo brasileiro recebia uma comitiva peruana para o an�ncio oficial da ado��o do padr�o, a embaixada do Chile confirmava ao Minist�rio das Comunica��es a escolha do sistema pela presidente Michelle Bachelet.
Todos os detalhes dos acordos firmados com os dois pa�ses ainda n�o foram divulgados, mas al�m da coopera��o t�cnica, t�pica nesses protocolos, o Brasil sinaliza com uma boa ajuda financeira aos novos parceiros. Ap�s o an�ncio formal, feito juntamente com o ministro de Transportes e Comunica��es do Peru, Enrique Cornejo, o ministro H�lio Costa contou aos jornalistas que o pa�s vizinho tamb�m ter� acesso � linha de financiamento criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ�mico (BNDES) para a implanta��o da TV digital. A linha, no valor total de R$ 1 bilh�o, est� dispon�vel desde 2007 e deve ser mantida, em princ�pio, at� 31 de dezembro de 2013.
A id�ia de permitir que outros pa�ses usem os recursos do BNDES na implanta��o da TV digital j� havia sido comentada em momentos anteriores pelo ministro H�lio Costa. A novidade � que o ministro sinalizou hoje com a possibilidade de amplia��o do escopo de financiamento. Atualmente, de acordo com dados oficiais do BNDES, a linha s� pode ser usada para aquisi��o de equipamentos fabricados no Brasil. Mas Costa defende que n�o haja restri��es ao uso da verba.
"Se for (limitado o uso da linha), vamos conversar com o BNDES. At� porque n�o h� imposi��o nenhuma da lei para que o financiamento seja apenas de equipamentos nacionais", afirmou o ministro, fazendo refer�ncia ao decreto de implanta��o da TV digital no Brasil. O ministro peruano n�o confirmou se j� h� interesse em usar os recursos do BNDES, mas fez uma proje��o de quanto custar� a implanta��o do sistema em seu pa�s.
Pelos c�lculos iniciais, o pa�s ter� que investir US$ 80 milh�es para cobrir as oito principais cidades peruanas, atendendo a cerca de 54% da popula��o at� 2015.
At� o momento, o Brasil j� conseguiu convencer
Peru, Chile e
Argentina. Al�m disso, haveria um pr�-acordo com
Cuba.
Equador e
Venezuela tamb�m estariam prestes a adotar o modelo nipo-brasileiro, segundo o Minist�rio das Comunica��es , e
Bol�via e
Paraguai estariam na fase dos "entendimentos". Com isso, o ministro H�lio Costa j� comemora o sucesso da empreitada de avan�ar com o padr�o escolhido pelo Brasil.
"Estamos caminhando para um sistema, no m�nimo, sul-americano de TV digital, o que � muito importante do ponto de vista cultural e intelectual", declarou. Quanto a pa�ses que j� fizeram sua escolha por outro sistema - como � o caso do
Uruguai, que optou pelo padr�o europeu - o governo brasileiro deve continuar insistindo no processo de convencimento.
"Todo mundo que errou tem o direito de se consertar", declarou o ministro ao ser questionado sobre o Uruguai.
O ministro peruano Enrique Cornejo tamb�m se mostrou satisfeito com a escolha feita.
"Viemos nessa visita oficial com grande alegria, mas tamb�m com grande certeza de que tomamos a decis�o certa", afirmou. Cornejo disse que analisaram por dois anos os padr�es tecnol�gicos dispon�vel sob tr�s eixos: tecnol�gico, econ�mico e em termos de coopera��o.
"E nesses tr�s quesitos, o sistema brasileiro se mostrou largamente melhor", concluiu.
Em meio ao an�ncio, uma antiga pol�mica voltou � tona: a promessa de que, ao adotar o padr�o japon�s, o Brasil ganharia suporte para a instala��o de uma f�brica de semicondutores em territ�rio nacional. Mesmo com a constru��o da f�brica tendo sido vastamente divulgada e comemorada pelo governo brasileiro na �poca do acordo com o Jap�o, H�lio Costa negou hoje que este item fizesse parte do acordo.
"N�s n�o negociamos a f�brica, pelo contr�rio. N�s pedimos que os japoneses nos auxiliassem com a tecnologia. Isso n�o consta do acordo", afirmou o ministro.
Segundo Costa, a f�brica - mesmo fora do acordo - s� n�o foi implantada at� hoje por culpa do pr�prio Brasil, que n�o teria m�o de obra qualificada para tocar um linha de montagem com a sofistica��o exigida para este ramo.
"N�s precisamos deixar muito claro que os entendimentos s� n�o se deram com a velocidade que a imprensa espera, e que n�s mesmos esperamos em alguns momentos, porque n�s n�o est�vamos preparados para receber essa f�brica. � preciso um conhecimento refinad�ssimo para uma linha de montagem assim", argumentou.
O ministro ponderou que o Brasil tem avan�ado nesse ramo, especialmente com os trabalhos conduzidos pela Ceitec. Ainda assim, n�o quis fazer nenhuma previs�o de quando o pa�s ser� capaz de ter uma grande f�brica de semicondutores.
"A perspectiva depende de um conjunto de fatores. E n�o sou eu que tem que dizer como fazer", concluiu.
Fonte:
Teletime