Para monitorar de forma cont�nua as condi��es meteorol�gicas e as trocas gasosas entre atmosfera e floresta, uma parceria entre institui��es de pesquisa do Brasil e da Alemanha construir�, em 2010, uma torre de monitoramento de 300 metros de altura em plena Floresta Amaz�nica, a cerca de 150 quil�metros de Manaus.
De acordo com Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz�nia (Inpa), o projeto tem o objetivo de gerar estimativas mais precisas sobre o papel do ecossistema amaz�nico no contexto de mudan�as clim�ticas globais.
Segunda maior torre meteorol�gica no mundo
Manzi apresentou o projeto Torre Alta de Observa��o da Amaz�nia (ATTO, na sigla em ingl�s) nesta quinta-feira (16/7), durante a 61� Reuni�o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci�ncia (SBPC), em Manaus. Ser� a segunda maior torre meteorol�gica no mundo, perdendo apenas para uma existente na Sib�ria.
O projeto, que integra o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz�nia (LBA - Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia), � coordenado pelo Inpa e pelo Instituto Max Planck de Qu�mica, da Alemanha. Ao custo estimado de 8,4 milh�es de euros, a torre ser� importante para aprimorar modelos clim�ticos, diminuindo incertezas. Os custos ser�o divididos igualmente pelos governos dos dois pa�ses.
O local da constru��o do novo s�tio experimental j� foi definido: a Reserva Biol�gica do Uatum�, na regi�o da hidrel�trica de Balbina.
Medidas finas
Segundo Manzi, a torre possibilitar� pela primeira vez a medi��o cont�nua de condi��es meteorol�gicas, incluindo temperatura, umidade e vento, al�m de fluxos de g�s carb�nico, vapor de �gua e energia entre a atmosfera e a superf�cie.
"A torre tamb�m dar� a possibilidade de fazer medidas finas de v�rios constituintes atmosf�ricos que muitas vezes s�o produzidos pela vegeta��o. Poderemos ver como eles s�o transportados e como reagem na atmosfera, especialmente no balan�o de carbono. O grande estoque de carbono da Amaz�nia faz dela uma regi�o importante no contexto do clima e das mudan�as clim�ticas globais", disse Manzi � Ag�ncia FAPESP.
No s�tio experimental, al�m da torre principal de 300 metros haver� outras quatro torres meteorol�gicas de cerca de 70 metros cada uma, voltadas para a medi��o de fluxos menores.
Esta��o de refer�ncia mundial"Teremos ali tamb�m perfiladores atmosf�ricos remotos, radares meteorol�gicos e outros equipamentos, al�m de laborat�rios e pr�dios auxiliares. O s�tio experimental ser� uma grande esta��o de refer�ncia mundial para florestas tropicais �midas de todo o planeta", disse.
Segundo Manzi, ser�o monitoradas as concentra��es de di�xido de carbono, metano e outros gases atmosf�ricos. No s�tio ser�o feitas tamb�m an�lises das composi��es isot�picas dos gases, que dever�o contribuir para o entendimento das suas fontes e sumidouros.
"Hoje, esse tipo de dados � gerado principalmente com bal�es, que medem poucas vari�veis, ou com avi�es, que apesar de obterem dados com boa varia��o espacial, s�o muito limitados para estudar as varia��es ao longo do tempo", explicou.
Toda essa estrutura permitir� modelar de maneira mais realista o funcionamento dos ecossistemas do ponto de vista das trocas de energia e dos ciclos de nutrientes. "Al�m disso, poderemos conhecer melhor todos os processos de transporte na baixa atmosfera, na camada limite e tamb�m os de transforma��o de nuvens em chuva", afirmou.
Carros com tra��o, barco e trilhaManzi indica que, de acordo com o planejamento, o s�tio experimental j� estar� operando no final de 2010. Os pr�ximos passos para a concretiza��o da esta��o de monitoramento ser�o o detalhamento do projeto de pesquisa e a inspe��o do solo no local selecionado. Em seguida, a constru��o poder� come�ar.
A torre ficar� localizada em uma �rea de terra firme na floresta, tipo de ambiente mais recorrente na variada paisagem amaz�nica. A escolha do local teve como base uma s�rie de estudos. O acesso � feito em tr�s etapas.
"Partindo de Manaus, fazemos uma parte do percurso com carros com tra��o nas quatro rodas. Depois de um trecho de barco � preciso percorrer uma trilha de cerca de 10 quil�metros na mata. Teremos um pequeno trator para transportar os equipamentos mais pesados, al�m de quadriciclos. Estamos estudando levar parte dos equipamentos mais pesados com helic�pteros", disse Manzi.
Medi��es de forma cont�nua
O novo s�tio experimental completar� a rede de observa��o utilizada pelo LBA. Segundo o pesquisador do Inpa, apesar de haver uma boa quantidade de dados obtidos, a falta de um equipamento capaz de fazer medi��es de forma cont�nua, com um raio de observa��o de centenas de quil�metros, impede que se fa�a a liga��o entre as informa��es sobre trocas gasosas obtidas por meio de bal�es e o monitoramento via sat�lite, por exemplo.
"A torre permitir� fazer a liga��o entre os diferentes m�todos e escalas de medi��es das trocas gasosas - feitos por torres, sat�lites, avi�es e bal�es. Por isso, os dados obtidos ajudar�o na avalia��o dos modelos", afirmou.
Participam do projeto, al�m do Inpa e do Instituto Max Planck, o Minist�rio da Ci�ncia e Tecnologia, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Universidade de S�o Paulo, a Secretaria de Ci�ncia e Tecnologia do Estado do Amazonas, a Universidade do Estado do Amazonas e a Coopera��o T�cnica da Alemanha.
Fonte: Inova��o Tecnol�gica