A regulamenta��o para a oferta de internet via
Power Line Communications (PLC) ainda n�o est� conclu�da, mas as distribuidoras de energia el�trica j� fazem planos para conquistar uma fatia do mercado de banda larga a curt�ssimo prazo. Apesar de a implanta��o do servi�o n�o estar plenamente pacificada no setor el�trico, distribuidoras de energia como a Copel pretendem iniciar a oferta comercial de internet em 2009 e est�o confiantes de que t�m f�lego para abocanhar uma boa fatia deste mercado.
"Temos como oferecer um produto com maiores velocidades e mais acess�vel", garantiu o consultor de telecomunica��es da empresa de energia el�trica do Paran�, a
Copel, Orlando C�sar de Oliveira.
Para que os planos da
Copel decolem, falta apenas a conclus�o da regulamenta��o da oferta do servi�o por parte da
Ag�ncia Nacional de Energia El�trica (Aneel). A ag�ncia fez nesta ter�a-feira, 13 de maio, uma audi�ncia p�blica para que os interessados no assunto fizessem suas considera��es antes da conclus�o do regulamento. Um dos pontos que ainda gera controv�rsia � com rela��o � tarifa que poder� ser cobrada pelas distribuidoras pelo acesso �s redes de energia para a transmiss�o de dados. No setor el�trico existe uma regra que obriga as concession�rias a transferir parte dos ganhos com a loca��o de suas redes para as tarifas cobradas dos consumidores de energia, em prol da modicidade tarif�ria.
Ocorre que essa transfer�ncia tem sido vista como um desest�mulo por alguns agentes do setor na oferta do PLC. � a interpreta��o da
Associa��o Brasileira de Distribuidores de Energia El�trica (
Abradee), por exemplo. Para o assessor da diretoria da
Abradee, Jos� Gabino, a
Aneel poderia pensar em alternativas que estimulassem as empresas a prestar o PLC, como o adiamento por algum tempo da regra do repasse.
"A regra que tem hoje n�o faz sentido nenhum. As empresas podiam ficar com toda a tarifa, por exemplo. � preciso encontrar um jeito de estimular a empresa", afirmou Gabino.

No Brasil, seis concession�rias j� fazem testes com o PLC h� alguns anos e apostam que a tecnologia est� pronta para permitir uma oferta competitiva de banda larga aos seus consumidores. S�o elas:
Copel (PR),
CEB (DF),
Cemig (MG),
Light (RJ),
Celg (GO) e
Excelsa (ES). Ao menos uma delas, a
Copel, se diz preparada para iniciar sua opera��o comercial do servi�o no pr�ximo ano e planeja a execu��o de uma oferta-piloto para 10 mil clientes no in�cio de 2009.
Atualmente, a
Copel comanda seu teste na localidade de Santo Ant�nio da Platina, onde cerca de 300 consumidores t�m acesso irrestrito e gratuito � banda larga via PLC. Nessa primeira fase, a distribuidora tomou a decis�o de n�o oferecer seus pacotes tendo como par�metro a velocidade de acesso, como fazem as teles. A empresa quer transportar para as telecomunica��es o mesmo m�todo usado na oferta de energia, ou seja, o cliente paga pelo que usar na transmiss�o de dados, sem restri��es pr�vias a velocidades de download.
"Tem gente que nem televis�o tinha em casa e hoje v� TVs do mundo todo pelo computador", conta Orlando C�sar de Oliveira sobre a experi�ncia em Santo Ant�nio da Platina.
O m�todo tem sido chamado pela empresa de
"web on demand" e, segundo o consultor da
Copel, garante que a oferta seja bem mais acess�vel do que o sistema utilizado pelas teles.
"Telecom est� em um modelo equivocado. Vamos implantar (o PLC) dentro do modelo de energia, onde n�o somos n�s que controlamos o consumo. � o pr�prio cliente." Oliveira acredita que, com a capilaridade da rede el�trica, o uso do PLC pode ser uma grande ferramenta para a real inclus�o digital do pa�s.
"O escopo maior � que ele vem ao encontro da inclus�o digital, pois a rede el�trica tem uma penetra��o de 98%, 99%. O PLC � uma alternativa vi�vel e exequ�vel para a inclus�o."
Ao defender o uso do PLC, Oliveira tamb�m n�o poupa cr�ticas �s teles. Uma das grandes reclama��es � a pr�tica do
traffic shaping, que a
Copel garante que n�o ir� aderir caso confirme sua entrada no mercado de transmiss�o de dados.
"A Copel n�o aplica controle de tr�fego. Isso � um erro, inclusive do governo, que deveria impedir essa pr�tica", protesta. Garantindo que n�o limitar� o acesso a qualquer tipo de transmiss�o, a distribuidora alega que as tecnologias PLC dispon�veis hoje asseguram conex�es com mais velocidade do que as oferecidas pelas teles.
Segundo o consultor, os equipamentos existentes permitem conex�es com velocidades de at� 400 Mbps. O plano de atendimento da
Copel prev� a oferta de
100 Mbps para cada grupo de 50 potenciais clientes. Para viabilizar a oferta comercial do servi�o � sua base de consumidores de energia, de 3,5 milh�es, a distribuidora estima que ser� necess�rio um investimento de US$ 1 bilh�o. A parte mais complexa da estrutura de oferta de dados, o cabeamento em fibra da regi�o de atendimento, j� est� pronta com a implanta��o de 7 mil km de cabos OPGW - onde a fibra passa dentro dos cabos par�-raios das linhas de alta tens�o - e mais 7 mil km em cabos urbanos.
Segundo Oliveira, sem que a distribuidora precise fazer maiores esfor�os, � poss�vel atingir uma penetra��o de 33% na oferta de PLC, �ndice bem mais expressivo do que os obtidos nas ofertas tradicionais de banda larga, via cabo e ADSL. O c�lculo � baseado na estimativa de que, para cada tr�s conex�es de PLC, uma funciona com efici�ncia. Considerando a penetra��o de quase 100% da rede el�trica em sua �rea de atua��o, a distribuidora teria potencial inicial de oferecer banda larga, com bom funcionamento, para um ter�o de sua clientela atual.
Outra quest�o que ainda precisa de ajustes no modelo de oferta do PLC � a quantidade de empresas que poder�o gerenciar essa nova rede de acesso. De acordo com as apresenta��es feitas hoje na Aneel, apenas uma prestadora poderia ser respons�vel pelos modens que fazem a modula��o da rede el�trica para a oferta do PLC por conta de problemas de interfer�ncia. Caso essa hip�tese se confirme, o caminho natural seria a distribuidora de energia ter o controle exclusivo dessa rede de acesso.
No entanto, as distribuidoras asseguram que isso n�o impedir� a competi��o na oferta final do PLC, caso existam outras empresas interessadas em prestar o servi�o. A distribuidora, em uma via, ofereceria o servi�o aos seus clientes, mas por outro lado tamb�m poderia sublocar os modens para a oferta por terceiros. Mas o futuro dessas rela��es comerciais pode n�o ser pac�fico.
Oliveira insinua que as distribuidoras lutar�o para manter o controle de suas redes, inclusive na oferta de dados, e que n�o aceitar�o a possibilidade de abrir sua infraestrutura �s empresas de telefonia.
"N�o faz sentido abrir para quem � monop�lio", alfineta o consultor da
Copel, lembrando que n�o s� as concession�rias de telefonia fixa mantiveram em r�dea curta o acesso �s suas redes nos �ltimos anos. Segundo Oliveira, empresas como a
GVT tamb�m jamais deixaram as subsidi�rias de telecom das distribuidoras entrarem em suas redes.
Fonte: Teletime