Vice-Presidente de estatal chinesa de Telecom prevê o fim dos fabricantes europeus e norte-americanos de celulares
They are going to die!
Em entrevista a jornalistas do Brasil e da Argentina, na sede da ZTE na cidade de Shenzhen (sul da China), o vice-presidente da empresa para a América do Norte e a América Latina, Wu Zengqi, disse que chegou a vez de China e Índia crescerem em telecomunicações e que os fabricantes tradicionais europeus e norte-americanos vão morrer: "A Siemens e a Nokia se juntaram e mesmo assim continuam perdendo espaço. A Nortel desapareceu. Quantos produtos a Motorola lança por ano? Hoje elas têm mercado, mas vão morrer. É assim que a economia mundial evolui. O mundo está vindo para a China e para a Índia", afirmou Wu Zengqi.
Fundada há 23 anos, a ZTE tem controle de capital estatal e 50 mil empregados. Os concorrentes internacionais a acusam de crescer à custa de subsídios e das encomendas do Estado. A empresa diz que houve subsídios no início, mas que o quadro mudou e agora ela se tornou uma companhia global, com custos competitivos e presença em mais de cem países.
Enquanto o mercado mundial de telecom cresceu à taxa média de 9% no ano passado, o balanço da ZTE aponta aumento de receita de 49,8%. Segundo Zengqi, é na África que a empresa tem obtido maiores lucros nas vendas. Questionado sobre a razão de a maior lucratividade vir de um continente pobre, respondeu que a empresa chegou à África antes dos concorrentes e pegou o mercado no começo.
Na América Latina, segundo ele, a empresa chegou quando os fabricantes europeus e norte-americanos já estavam instalados e, por isso, sua lucratividade na região é menor. A ZTE não tem planos de instalar fábrica no Brasil a curto prazo. Zengqi disse ainda que a construção de uma unidade no Brasil só acontecerá quando o volume de vendas justificar o investimento. Fora da China, ela só tem uma fábrica de celular, na Índia, mas possui 15 centros de desenvolvimento de pesquisa no exterior, sendo três nos Estados Unidos.
A cada ano, os chineses ficam mais vorazes no mercado internacional de telecom. Em 2007, pela primeira vez, as exportações da ZTE ultrapassaram as vendas dentro da China. No ano passado, foram 6 milhões de telefones vendidos à Vodafone e serão 15 milhões neste ano. A operadora portuguesa TMN adquiriu 2 milhões de unidades para suas subsidiárias em países africanos como Uganda, Zâmbia e Ruanda. O grupo chinês diz que está fechando contrato com uma operadora de celular brasileira e que o negócio será anunciado nos próximos dias. A ZTE produzirá 50 milhões de aparelhos neste ano, em nível global, contra 30 milhões em 2007.
A fala condundente do executivo chinês vem se juntar à notícia recente que a Motorola separou a divisão de celulares do restante do grupo, em um movimento que alguns analistas interpretaram como um primeiro passo para deixar este setor. Com isso, é possível que a empresa que "inventou" o aparelho celular deixe de fabrica-los em breve! Os especialistas afirmam que a separação da unidade de celulares, que está perdendo mercado para as rivais Nokia e Samsung Electronics, pode ajudar a Motorola a encontrar um investidor estratégico, como grandes fabricantes asiáticos, que possa estar interessado em conquistar uma parcela maior do mercado norte-americano.
Fonte: Folha de São Paulo e Mundi
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