
O
site da Agência Espacial Norte-Americana - NASA está reverenciando o filme
2001 - Uma Odisséia no Espaço, considerado um épico da ficção científica. A homenagem da NASA está baseada no rigor científico dos efeitos visuais do filme e na tecnologia que a obra cinematográfica antecipou e que influenciou de forma decidida a conquista do espaço, a microeletônica e as telecomunicações.
O filme
2001: A Space Odyssey, é, para muitos críticos, um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Foi realizado em 1968 pelo cineasta norte-americano
Stanley Kubrick, com a participação de
Arthur C. Clarke como consultor científico para a elaboração do roteiro. O filme foi baseado em um conto escrito por Clarke para um concurso promovido após a Segunda Guerra Mundial pela BBC (concurso o qual não foi ganho por Clarke). Mais tarde, em 1951, o conto saiu publicado na revista de ficcão científica
Ten Story Fantasy com o título
Sentinel of Eternity. No mesmo ano o conto foi bublicado nos EUA na revista
The Avon Science Fiction and Fantasy Reader , com o título mudado para
The Sentinel. O roteiro do filme é, porém, diferente em vários aspectos do conto original, servido como base para um livro que Clarke escreveu ao longo das filmagens e que foi publicado logo após o lançamento do filme, com o mesmo nome
2001: A Space Odyssey.
O filme tem com uma duração total de 139 minutos e apenas 40 de diálogo. O argumento principal do roteiro é a tese de que a evolução da humanidade ganhou uma espécie de
empurrão inicial por uma civilização alienígena. Os primeiros 20 minutos do filme, sem nenhum diálogo, mostram o instante crucial na evolução do Homem, na qual os primeiros hominídeos se tornaram capazes de usar instrumentos. No filme este momento ocorre a partir do encontro de uma tribo de
homens-macacos com um misterioso objeto na forma de um monolito negro. A partir daí o filme dá um salto de milênios até o ano 2000 da nossa era, com impressionantes imagens de uma nave espacial chegando a uma estação internacional em órbita da terra. Os efeitos visuais destas cenas deixaram atônitos os técnicos da NASA na ocasião do lançamento do filme. A seqüência do filme possibilita saber que os cientistas norte-americanos encontraram um monolito negro semelhante àquele que foi mostrado na abertura do filme, enterrado na superfície da Lua em uma cratera. O monolito, aparentemente um artefato fabricado por uma civilização alienígena, mostra-se impenetrável a todos os esforços de desmonta-lo ou mesmo fura-lo. No entanto, ao visitarem o local da escavação, o misterioo retângulo negro começa a emitir um forte sinal de rádio no momento em que é iluminado pela luz solar, no alvorecer no "dia" lunar. A conclusão que se chega é que o monolito foi deliberadamente enterrado na superfície lunar a milhões de anos, ficando à espera do momento no qual a humanidade tivresse já obtido os conhecimentos tecnológicos suficientes para uma viagem espacial. O monolito enterrado na superfície lunar tinha sido detectado originalmente como uma anomalia magnética e fora escavado pelos cientistas norte-americanos que julgavam ser o indício de um depósito mineral valioso.
Neste ponto a seqüencia do filme dá um salto de alguns meses para o ano 2001, onde mostra uma enorme nave espacial chamada
Discovery a caminho do planeta Júpiter. Apesa dos astronautas à bordo da Discovery não saberem disso, o destino foi escolhido porquê trata-se do alvo da emissão de rádio proveniente do monolito lunar. Próximos da chegada em Júpiter o computador
HAL-9000, que é uma espécie de administrador e piloto da nave Discovery, apresenta um sério defeito. Na tentativa de ser desligado, o computador HAL-9000 mata os astronautas a bordo da nave, exceto um deles que consegue sobreviver. Este único astronauta sobrevivente, capitão
Dave Bowman (papel do ator
Keir Dullea) tem acesso ao real objetivo da missão e acaba entrando em contato com um novo monolito negro, de enormes dimensões, que está orbitando o planeta Júpiter. Os 20 momentos finais do filme, novamente sem diálogos, mostram o contato do astronauta Dave Bowman com a avançada civilização que contruiu os monolitos negros e que, na interpretação de Arthur Clarke, foi responsável por dar inteligência ao ancestral hominídio do qual descendem todos os seres humanos.
Um dos personagens principais do filme, o computador
HAL 9000 é dotado de inteligência artificial e conversa com os astronautas com uma voz masculina. Diversas pessoas viram no nome do computador uma referência velada à
IBM, pois as letras da sigla HAL precedem em uma casa as três letras da denominação da conhecida empresa norte-americana de computadores. Tanto Kubrick com Clarke no entanto desmentiram essa tese, dizendo que HAL=IBM não passou de uma coincidência. No conto original, o computador chamava-se
Athena, em homenagem à deusa grega da sabedoria, e tinha voz feminina.
O filme foi exibido pela primeira vez para convidados da produtora MGM em um cinema da capital norte-americana Washington, no dia 2 de abril de 1968. Após esta exibição o diretor Stanley Kubrick e os produtores acharam que o filme tinha ficado muito longo e foram removidos aproximadamente 19 minutos de cenas. Em seguida o filme, agora com 139 minutos de duração, foi lançado em diversas cidades norte-americanas no dia 6 de abril de 1968. Utilizou-se um formato de filme novo na ocasião, chamado
70 mm (na verdade um filme negativo com 65 mm de largura), com trilha sonora magnética em seis canais, resultando em uma proporção largura-altura de 2,21 : 1 durante a projeção. No entanto, como poucos cinemas tinham o equipamento de som em 6 canais e projetores de 70 mm, em setembro de 1968 o estúdio MGM preparou também cópias em filme de 35 mm. Nesta versão o som estava gravado em uma faixa magnética em quatro canais e também com trilha sonora óptica mono. Em muitos cartazes o filme foi anunciado como sendo no formato
Cinerama, um tipo de projeção que requeria três projetores sincronizados, mas na verdade o filme nunca foi produzido neste formato. É interessante observar que a excelente qualidade das películas originais de
2001: A Space Odissey, permitiram recentemente sua transposição para o formato de alta-definição
Blue Ray, disponível para os equipamentos atuais de HD-TV.
O filme antecipou diversas conquistas tecnológicas, entre elas:
- Vôs tripulados regulares entre a Terra e uma estação espacial em órbita. Como no filme, a
ISS é um empreendimento internacional. Curiosamente porém no filme é mostrado um encontro na estação espacial de um cientista norte-americano com uma equipe científica da
URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), país que não existe mais. Outra curiosidade é que a nave de transporte Terra-Estação que aparece no filme ostenta o logotipo da empresa de aviação norte-americana
PanAm, que já faliu. Também o interior da estação espacial do filme causa inveja aos atuais tripulantes da ISS, que se espremem em tubos estreitos atulhados de equipamentos. No filme, os tripulantes da estação espacial tem confortáveis sofás, mesas e cadeiras, com
design futurista para a época.
- Telas planas coloridas e com gráficos complexos, semelhantes às atuais de LCD. No filme o efeito das telas coloridas nas naves espaciais foi obtido com projetores de
slides colocados por trás dos cenários. Em 1968 os computadores eram ainda somente
mainframes, sem monitores.
- A inteligência artificial e a voz sintetizada perfeita, presentes no computador HAL-9000. É verdade que ainda não temos computadores tão espertos como o HAL-9000 do filme, nem queremos que os computadores matem astronautas. Porém as máquinas já falam conosco de forma corriqueira - basta ligar para um serviço 0800 para reclamar do nosso telefone celular!
- Jogar xadrês contra um computador. No filme o astronauta Dave Bowman é mostrado em uma cena jogando xadrês com o computador HAL-9000. Aparentemente o computador HAL é imbatível no xadrêz, como a IBM (H+1, A+1, L+1) provou recentemente.
- Cartões de crédito com faixas magnéticas. Em 1968 os cartões de crédito já existiam, mas não tinhas ainda as tarjas magnéticas atuais. Na verdade uma cuidadosa verificação da cena do filme na qual o personagem-cientista Heywood Floyd usa o cartão de grédito para pagar uma ligação telefônica (ele usa um telefone
com imagem) mostra que o cartão tem códigos de barras e não uma faixa magnética. Mas não deixa de ser uma notável antecipação do futuro. Uma curiosidade desta cena é que a "filha" do cientista que atende ao telefone é na verdade
Vivian Vanessa Kubrick, filha do diretor do filme, então com sete anos de idade. A filmagem da garota foi feita na casa de Stanley Kubrick, enquanto ela falava com o proprio pai através de um aparelho de TV; na cena editada no filme, ficou perfeitamente convincente que a garotinha conversava com o pai-ator através de um
videophone. O nome de Vivian Kubrick não aparece na lista de atores do filme. Posteriormente, em 1975, ela também aparece como figurante em uma cena do filme
Barry Lyndon, também dirigido por Stanley Kubrick.
- Comércio eletrônico. Ainda usando o
videophone, o cientista compra uma boneca de brinquedo para a filha, acessando uma espécie de
site onde são mostradas fotografias de diversos brinquedos infantis. Infelizmente esta cena foi cortada na versão que chegou aos cinemas, mas antecipa em pelo menos 15 anos o surgimento das lojas virtuais na Internet.
- A imagem da Terra "crescente", vista da Lua. Em dezembro de 1968, mesmo ano da estréia do filme, os astronautas norte-americanos Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, tornaram-se os primeiros seres humanos a orbitarem a Lua. As primeiras fotos da Terra, tendo em primeiro plano a superfície lunar, são impressionantes por sua semelhança com as imagens do filme.

- Os telefones com acesso mundial e os sistemas de comunicação a longas distâncias: Além do já citado
videophone, a nave
Discovery no filme possui uma enorme antena parabólica apontada para a Terra, através da qual os astronautas recebem notícias de casa. O rigor científico de Arthur Clarke levou em conta o fato da nave Discovery do filme estar bastante distante da terra, de modo que as transmissões entre a Terra e a espaçonave sofrem um atraso de alguns minutos. Este fato foi enfrentado pela NASA nas missões não tripuladas que enviaram robôs à superfície de Marte; os robôs tiveram que ser dotados de sistemas automáticos porquê seria impossível controla-los remotamente a partir da Terra.
À época de seu lançamento o filme recebeu quatro indicações para o
Oscar, mas acabou levando somente a estatueta na categoria
Efeitos Especiais. Atualmente no entanto, por sua contribuição à divulgação da ciência, o filme
2001: A Space Odidssey tem uma cópia preservada na Biblioteca do Congresso Norte-americano.