Domingo, 31 de Agosto de 2008

Bell Labs encerra atividades de pesquisa em física fundamental



Após décadas de pesquisa científica e com seis Prêmios Nobel no currículo, o Bell Labs está encerrado suas atividades de pesquisa em física fundamental. A Alcatel-Lucent, atual proprietária do Bell Labs, decidiu focar as atividades de pesquisa do famoso laboratório norte-americano em áreas mais diretamente relacionadas com a atuação da empresa.


Segundo as notícias da imprensa norte-americana, os cientistas vinculados ao Bell Labs na área de física fundamental foram deslocados para outras áreas de pesquisa. A decisão da Alcatel-Lucent foi violentamente criticada pela comunidade científica internacional, que acusa a empresa de ter uma visão de curto prazo quanto aos benefícios que podem resultar da pesquisa fundamental. Os diretores da Alcatel-Lucent rebatem estas críticas afirmando que atualmente grande parte da pesquisa básica é realizada em centros universitários e que a manutenção do setor de física fundamental no Bell Labs representava um custo elevado demais frente aos resultados alcançados nos últimos anos.

O Bell Labs foi fundado 1925 por Walter Gifford, então presidente da empresa AT&T (American Telegraph and Telephony, fundada pelo inventor do telefone, Alexander Graham Bell). O laboratórioio, cujo nome oficial era Bell Telephone Laboratories, era o local onde eram realizados os desenvolvimentos científicos que posteriormente resultavam em produtos fabricados pela Western Electric, braço industrial da AT&T.

Ao longo de sua história, o Bell Labs colecionou uma longa relação de descobertas e invenções. O primeiro Prêmio Nobel do Bell Labs veio em 1937, com Clinton Davisson dividindo o Prêmio Nobel de Física com outros cientistas pela demonstração da natureza ondulatória da matéria. Em 1956 veio o Prêmio Nobel mais conhecido obtido por pesquisadores do Bell Labs, com a premiação em Física obtida por William Shockley, John Bardeen e Walter Brattain, pela invenção do transístor. Na verdade o transístor tinha sido desenvolvido alguns anos antes, em 1947, de modo que em 1956 nenhum dos três laureados trabalhava no Bell Labs. A foto que ilustra esta notícia mostra Shockley, Bardeen e Brattain em uma sala do Bell Labs, mas foi obtida em 1956 a pedido dos jornais norte-americanos, que necessitavam de algumas fotografias para ilustrar as reportagens sobre os ganhadores do Prêmio Nobel.

Na década de 1970 os cientistas do Bell Labs conseguiram dois Prêmios Nobel em Física em seqüência, em 1977 e 1978. O primeiro foi concedido a Philip Anderson, dividindo com cientistas de outras instituições, pelo desenvolvimento e compreensão da estrutura eletrônica do vidro e de materias magnéticos. O Prêmio Nobel de Física de 1978 foi outorgado a dois cientistas do Bell Labs, Arno Penzias e Robert Wilson, pela assim chamada "radiação de fundo" presente no espaço cósmico. A pesquisa de Penzias e Wilson foi conduzida como uma tentativa de compreender o problema de interferência que era observado em longas linhas telefônicas, nas quais a fonte das interferências parecia vir "do céu". Com uma grande antena (foto abaixo) eles demostraram que, de fato, a misteriosa radiação vinha do espaço sideral e é considerada um restício do Big Bang que deu origem ao universo.



Em 1997 o Prêmio Nobel de Física foi para Steven Chu, que havia trabalho alguns anos antes no Bell Labs; o prêmio foi pelo desenvolvimento de um método para a captura de átomos usando laser. No ano seguinte três cientistaas do Bell Labs ganharam o Prêmio Nobel de Física, Horst Stormer, Robert Laughlin e Daniel Tsui, pela descoberta e explanação do efeito Hall quântico.

Há alguns anos a empresa Lucent já havia vendido a sua divisão de semicondutores, o que fez com que o Bell Labs interrompesse suas pesquisas na área de microeletrônica. Após a fusão com a francesa Alcatel, a Alcatel-Lucent desfez-se de um conjunto de edifícios que eram usados pelo Bell Labs, chamado de campus de Holmdel, localizado a cerca de 30 km de Nova York. Este conjunto tinha sido construído entre 1957 e 1962 pela AT&T e serviu de local para uma série de conquistas importantes na área de telecomunicações, como a fabricação dos primeiros satélites de comunicações e o desenvolvimento das técnicas de modulação digital que conduziram aos sistemas de telefonia celular. A área foi vendida em 2006 a uma grande construtora e, apesar de um movimento surgido no sentido de preservar o local como sítio histórico, os antigos edifícios do Bell Labs foram demolidos e no seu lugar estão sendo construídos novos blocos de escritórios. O que restou da estrutura do Bell Labs ficou restrita ao edifício localizado em Murray Hill em New Jersey (onde foi inventado o transístor), que já obteve oficialmente o status de monumento histórico norte-americano.

Fonte: Wired

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