Sábado, 19 de Julho de 2008

Serviços 3G poderão usar a faixa de 410 MHz a 430 MHz

De acordo com o site Convergência Digital, os serviços de acesso móvel à internet através de redes 3G poderão usar, num curto prazo, a faixa de 410 MHz a 430 MHz.

Os serviços de Terceira Geração começam a decolar no Brasil e já é possível constatar a necessidade de espectro para garantir a qualidade do serviço prestado pelas operadoras aos consumidores. A preocupação é patente no mercado. A procura está maior do que a oferta e há risco de qualidade comprometida, afirmam os operadores. A Anatel, ciente da reivindicação do setor, se mobiliza. Tanto é assim que, neste momento, realiza um megatrabalho de reengenharia para limpar a faixa de 450 a 470 MHz e liberar o seu uso para os serviços móveis. A operação é pilotada pelo gerente geral de Certificação e Engenharia do Espectro da Agência, Maximiliano Salvadori Martinhão. Em entrevista exclusiva concedida ao site Convergência Digital, ele adiantou que o estudo de uso desta faixa de freqüência estará concluído até o final deste ano. No entanto, o processo de autorização para o uso do espectro dependerá da decisão do Conselho Diretor da agência.

O gerente de Certificação da Anatel conta que o órgão regulador começou a trabalhar esta faixa logo após a sua identificação pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) como padrão mundial para comunicações sem fio de Terceira Geração. "O grande apelo dessa faixa é a questão da cobertura. É uma faixa mais baixa e atende uma cobertura maior com menor potência o que favorece o seu uso para aplicações móveis", destacou Martinhão. No entanto, o gerente alerta que essa freqüência é bastante congestionada devido à utilização dela por serviços diversos. Não à toa, o gerente da Anatel assume que a regulamentação da faixa de 450 MHz para a utilização móvel exigirá um grande esforço da Agência, uma vez que será preciso criar condições para que os serviços que, hoje, ocupam essa faixa de freqüência, possam adaptar seus sistemas e migrarem para outra faixa do espectro.

Numa tentativa de conciliar os interesses e melhor aproveitar o espectro - bem raro no mundo - Martinhão conta que a Anatel desenvolve um estudo que envolve desde a faixa de 220 MHz até 470 MHz, uma faixa bastante utilizada - há mais de 110 mil estações cadastradas. "Do ponto de vista técnico não vai ser um problema que será resolvido em curtíssimo prazo?, assumiu Martinhão.

Enquanto não se resolve à questão da faixa de 450 MHZ, Martinhão sugeriu como opção para uso imediato as faixas de 410 a 430 MHz. Segundo ele, essas freqüências já estão regulamentadas pela Anatel (Resolução 395/05) e, atualmente, estão destinadas para o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), telefonia fixa e Serviço Móvel Especializado (SME). Porém, ele ventilou que essa faixa pode ser utilizada pelo Serviço Móvel Pessoal (SMP), desde que a Agência venha a alterar a sua destinação. "Para se fazer à modificação para o SMP seria necessário um processo de destinação da faixa para o serviço", sinalizou. Martinhão ainda acrescentou que a Anatel trabalha ainda no uso da faixa de 3,5 GHz - o leilão está suspenso judicialmente e será necessário refazer todo o processo até porque a faixa tem uma destinação apenas para aplicações fixas, mas a UIT também permitiu o uso da mobilidade nela - uma vez que a demanda por espectro em função da oferta da banda larga cresce rapidamente no país.

Para o gerente de Certificação e Engenharia de Espectro da Anatel, o apelo das empresas, em especial, das móveis - que começam a vender o serviço da Terceira Geração - por mais banda (fatia de espectro) significa que elas já vislumbram o futuro - o mundo caminha para mobilidade - e querem que o órgão regulador sinalize como será feita a evolução na concessão de espectro. "Essa faixa faz parte da evolução do IMT-2000, por isso estamos fazendo um trabalho de destinação da freqüência para aplicações móveis. Realmente precisamos de mais espectro para evoluir e nesse sentindo 3,5 GHz é um caminho", completou.