Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Estudo de universidade norte-americana envolvendo telefones celulares é criticado por invadir a privacidade

Um grupo de pesquisadores da Northeastern University (localizada em Boston, nos EUA) publicou esta semana um trabalho na revista Nature que está despertando críticas pela forma como foi conduzida a amostragem dos dados. O interesse dos pesquisadores Albert-Lazlo Barabasi e Cesar Hidalgo, vinculados à área de ciências sociais da universidade, era verificar os hábitos de deslocamento de um grupo de pessoas, com o objetivo de determinar se elas mantinham-se próximas aos seus lares ou se movimentavam bastante no ambiente urbano.

Para conduzir a pesquisa, foi feita uma parceria com uma empresa de telefonia celular, não identificada no artigo, que utilizou o seu sistema de gerenciamento das estações rádio-base para verificar a localização de um grupo de 100 mil usuários tomados ao acaso. Os autores deixam claro que a pesquisa não foi realizada nos EUA, pois existem lá restrições legais para que se use os sistemas de telefonia celular para fazer a localização de indivíduos, a não ser que a própria pessoa solicite isso. Mesmo assim, as autoridades norte-americanas estão considerando que os pesquisadores não agiram de forma ética na sua amostragem, tomando partido da falta de legislação de proteção da privacidade no país escolhido. No artigo publicado, a única indicação do local onde foi realizada a amostragem diz que trata-se de "um país industrializado".

Em sua defesa os autores afirmam que o estudo foi importante para determinar o comportamento típico das pessoas com relação aos hábitos de deslocamento e que, até agora, não existia nenhum dado confiável sobre o assunto. As conclusões da pesquisa indicaram que aproximadamente 50% das pessoas no grupo estudando não se afastavam mais do que 10 km do local onde moram e que 83% destas pessoas mantinham-se por meses vivendo em um círculo com 60 km de diâmetro. Os deslocamentos regulares de longa distância foram raros. Aproximadamente 3% das pessoas estudadas regularmente faziam deslocamentos além de um círculo de 320 km, enquanto que menos de 1% foram além de 1000 km do local onde moravam.

Não me parece uma pesquisa muito importante...