Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Assista sábado, ao vivo, o lançamento do satélite GIOVE-B


O satélite GIOVE-B, segundo veículo destinado a testar o sistema Galileo de navegação por satélites, será lançado às 00.16 h (horário de Moscou) do Cosmódromo de Baikonur no Casaquistão, no domingo, 27 de abril de 2008. Devido a diferença de fuso horário, no horário de Brasília o lançamento será às 21:16 horas do sábado, dia 26 de abril de 2008.

O lançamento poderá ser assistido ao vivo acessando-se o site: http://www.videocorner.tv/index.php?langue=en

O sistema Galileo é um projeto europeu que pretente construir uma alternativa ao GPS norte-americano, com serviços diferenciados para os países da Comunidade Européia. O sistema será operado pela Agência Espacial Européia (ESA), com previsão de 27 satélites ativos e outros 3 de reserva. Inicialmente previa-se que o projeto estaria operando de forma completa em 2008, mas sucessivos atrasos no cronograma transferiram esta data para 2010. O projeto preliminar prevê satélites com massa aproximada de 660kg e 1500 W de potência elétrica total, alimentados por painéis foto-voltaicos. Somente um satélite de testes foi lançado até agora, denominado GIOVE-A, lançado ao espaço em 28 de dezembro de 2005 por um foguete de lançamento Soyuz, da base russa em Baikonur, no Cazaquistão.

Apesar de Giove ser o nome do planeta e do deus Júpiter no idioma italiano, seu significado segundo a ESA é Galileo In-Orbit Validation Element. O satélite GIOVE-B levará ao espaço três relógios atômicos, que serão testados para serem usados nos futuros satélites do sistema Galileo. Dois são relógios atômicos de rubídio e o outro será o primeiro relógio atômico de maser de hidrogênio a ser colocado em órbita da terra, capacitado a medir os tempos de trânsito dos sinais de rádio com extraordinária precisão. Para ter uma idéia da sua precisão, o relógio de maser de hidrogênio tem uma estabilidade da ordem de 1 ns por dia, ou seja, atrasa ou adianta no máximo 0,000000001 segundos em 24 horas. O satélite também testará a eficiência e a durabilidade do sistema de alimentação de energia baseado em painéis foto-voltaicos, que terão um sistema inédito de movimento para melhor aproveitamento da luz solar.

Quando estiver operando plenamente, o sistema Galileo propõe-se a oferecer quatro tipos de serviços:

Open Service (OS): Será um serviço no qual a recepção dos sinais será aberta e gratuita, semelhante ao que ocorre com os atuais receptores GPS. Os sinais serão emitidos em duas faixas: 1164?1214 MHz e 1563?1591 MHz. Os equipamentos receptores que operarão no modo dual band permitirão a localização geográfica com erro inferior a 4 metros na horizontal (longitude e latitude) e inferior a 8 metros na vertical (altitude). Já os receptores mais baratos, que operarão no modo single band, deverão fornecer a posição geográfica com erro menor que 15 metros na horizontal e menor que 35 metros na vertical.

Commercial Service (CS): Este serviço será disponível em receptores que captarão os sinais OS, juntamente com um sinal adicional criptografado na faixa de 1260?1300 MHz. O serviço criptografado será disponível somente sob pagamento de uma licença anual, sendo que neste caso será possível a localização geográfica com erro inferior a 1 metro. Haverá também a possibilidade dos sinais do satélite serem complementado por estações terrestres (Sistema EGNOS); neste caso, será possível a localização geográfica nos países europeus com erro inferior a 10 cm. Este serviço destina-se a aplicações na área de geo-referenciamento, topografia e construção civil.

Public Regulated Service (PRS) & Safety of Life Service (SoL):
Este serviço terá precisão semelhante ao Open Service, porém apresentará robustez contra interferências. A intenção é que o PRS seja usado por autoridades de segurança (Polícia e Forças Armadas), para exercícios militares, localização de veículos furtados e controle de pessoas condenadas em regime de liberdade vigiada. Já o SoL terá uma precisão maior e será usado por sistemas de transporte (Controle de Tráfego Aéreo, Aeronaves, Trens etc.).

Os especialistas em Geo-localização manifestam suas dúvidas se o Sistema Galileo de fato estará completo até 2010, já que a sua primeira previsão era para 2008. A Agência Espacial Européia (ESA) enfrenta problemas de orçamento insuficiente para completar o Sistema Galileo, além de uma oposição aberta do governo norte-americano. Uma indicação das dificuldades que a ESA enfrenta é a notícia que o satélite GIOVE-B estava pronto e armazenado desde julho ou agosto de 2007. Desde então, a ESA e a agencia francesa Arianespace estavam aguardando a disponibilidade de uma plataforma de lançamento na base russa em Baikonur, no Cazaquistão, para fazer o lançamento agora confirmado para o dia 27 de abril de 2008.

Segundo visitantes que assistiram aos últimos lançamentos no Cosmódromo de Baikonur no Casaquistão, as instalações estão em um estado lamentável de conservação. Desde o fim da União Soviética a situação política do Cosmódromo de Baikonur é complicada, pelo fato de ser uma instalação russa mas localizada em outro país, o Casaquistão. Provavelmente devido às dificuldades técnicas enfrentadas em Baikonur, a agencia francesa Arianespace está anunciando que terá condições de lançar foquetes Soyuz a partir de 2009 da sua base na Guiana Francesa. Este fato permitirá levar o veículo lançador de satélites Soyuz, que detém a maior marca de lançamentos bem sucedidos da história espacial, para a base de lançamentos da Arianespace, que é considerada a mais moderna em operação no mundo. De fato, um foguete Soyuz foi o responsável pelo lançamento do primeiro satélite, o Sputnik, em 1957. Ao longo da existência da extinta União Soviética e atualmente sob a administração russa, a família de foguetes Soyuz já contabiliza mais de 1.700 missões bem sucedidas até hoje. A Arianespace informa que os foguetes Soyuz serão construídos na Rússia e transportados em navio até a Guiana Francesa, onde serão lançados de uma nova plataforma que se encontra em estágio avançado de construção. Rompendo a tradição soviética, os foguetes serão inicialmente colocados na vertical e só então a carga comercial será acoplada à sua parte superior, da mesma forma como é feito com o Ariane-5.

O desenho abaixo mostra esquematicamente o foguete Soyuz disponível atualmente, chamado modelo FG. Basicamente trata-se do mesmo foguete da década de 1960, acoplado a um estágio superior denominado Fregat. A fotografia mostra o lançamento do GIOVE-A, em 2005.