Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Intel desenvolve link WiFi de 100km para áreas rurais



Através de press release e do filme acima, a empresa INTEL está divulgando o lançamento de uma tecnologia capaz de prover acesso à Internet em áreas rurais e localidades afastadas dos grandes centros urbanos. Segundo a nota da INTEL, o sistema permite estabelecer links ponto-a-ponto de até 100 km, com preço previsto de venda de US$ 500 para os cada um dos equipamentos que formam o link. Não está muito claro na notícia da INTEL qual a taxa de transmissão que pode ser obtida nestes links, mas outras fontes falam em 10 Mb/s. A INTEL batizou a tecnologia de Rural Connectivity Platform - RCP.
Apesar da ampla divulgação obtida pela presença do nome INTEL na notícia, na verdade não se trata de algo realmente "novo". Os engenheiros da INTEL estão utilizando equipamentos normais WiFi com uma modificação relativamente pequena no protocolo usualmente empregado pelos equipamentos aderentes às normas IEEE 802.11b e 802.11g. O principal problema quando se faz um link de longa distância utilizando equipamentos WiFi comuns é a alta taxa de perda de pacotes devido ao longo tempo de retorno do sinal de acknowledgment da outra estação. Como o equipamento WiFi foi projetado para enlaces relativamente curtos, o sistema de gerenciamento não obtem o sinal de acknowledgment no tempo habitual, fazendo com que o pacote seja re-transmitido. O resultado é que a taxa de transmissão efetiva acaba caindo violentamente e, em muitos casos, inviabiliza a comunicação entre as estações.
A INTEL afirma que modificou o protocolo padrão do IEEE, fornecendo para cada uma das estações um determinado espaço de tempo para a transmissão do sinal e outro espaço de tempo para a recepção do sinal. Trata-se portanto de um esquema TDMA (time division multiple access) que possibilita ultrapassar as limitações naturais da fase de acknowledgment dos equipamento IEEE 802.11b e 802.11g. Esta modificação faz com que seja incrementada significativamente a velocidade de transmissão de dados entre as duas estações, mesmo que estejam distantes.
Diversas pesquisas já haviam identificado este problema no protocolo original do IEEE e propuseram formas de contornar a dificuldade de se estabelecer links de longa distância com equipamentos WiFi. Algumas empresas chegaram inclusive a lançar produtos comerciais com esta finalidade, mas não obtiveram o devido retorno nas vendas. A proposta da INTEL é, portanto, o renacimento de algumas velhas idéias mas que poderá vir a ser importante em projetos de inclusão digital.
Nos protótipos foram usados microprocessarores da linha
Intel IXP® de 533 MHz e uma memória tipo Compact Flash de 512 MB. O software foi desenvolvido em Linux e consiste basicamente de drivers WiFi modificados. A INTEL afirma que já efetuou testes bem sucedidos com os protótipos na Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA) e em localidades no Vietnam, na Índia, na África do Sul e no Panamá.
A produção comercial será feita por um parceiro industrial da INTEL e estará disponível no segundo semestre de 2008. A idéia é comercializar um kit de fácil instalação, composto de antena mini-parabólica, fonte de alimentação universal e caixa hermética de modo a poder instalar o equipamento ao tempo. Propõe-se também que o consumo de energia seja suficientemente baixo de modo a permitir a alimentação por sistemas baseados em fotocélulas.