Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Diretor de empresa australiana provoca polêmica ao afirmar que "WiMAX é um desastre" em plena conferência internacional sobre WiMAX

Há poucos dias o Sr. Garth Freeman, principal executivo da empresa australiana Buzz Broadband, causou surpresa durante uma conferência internacional sobre WiMAX em Bancoc na Tailândia, ao afirmar que esta tecnologia é "um desastre" que "falhou de forma miserável" em sua empresa. Para uma platéia atônica, o Sr. Freeman afirmou que sua empresa estava desativando cerca de 200 aparelhos WiMAX adquiridos há poucos meses da empresa Airspan, porque simplesmente eles "não cumpriram o que prometiam" . Disse que o sinal era "inexistente" em situações onde não havia visada direta a apenas 2 km de distância da estação-base e que, quando havia a recepção do sinal, o tempo de latência atingia a elevadíssimos 1000 milisegundos. Também relatou que clientes a apenas 400 metros de distância da estação-base não conseguiam a recepção de sinais se os equipamentos estivessem no interior dos edifícios e residências, falhando portanto de forma extraordinária para fornecer a anunciada cobertura indoor. Com isto, ficou impossível à sua empresa Buzz Broadband ofertar o serviço VoIP que pretendia aos seus clientes na região da Baía de Hervey na Austrália, com um enorme prejuízo financeiro.
O Sr. Freeman afirmou que seu pronunciamento tinha como objetivo alertar aos participantes do encontro que "WiMAX pode não funcionar" e que toda a divulgação que tem sido feita desta tecnologia não teria bases técnicas consistentes. Segundo ele, a maior parte dos projetos que envolvem WiMAX tem sido feita por empresas novatas no ramo de acesso sem fio, convencidas a ingressarem nesta área por vendedores "sem a devida qualificação técnica".
A manifestação do Sr. Freeman foi particularmente surpreendente por que no mesmo evento realizado em 2007 ele havia se mostrado entusiasmado com a adoção da tecnologia WiMAX em sua empresa, tendo obtido a adesão de aproximadamente 5.000 novos clientes em apenas dois meses de funcionamento do serviço, baseado-se numa campanha publicitária que enfatizava a possibilidade dos usuários fazerem ligações telefônicas através de VoIP. Apesar de não apresentar documentos, o Sr. Freeman afirmou que um executivo da empresa VSNL na Índia havia lhe relatado que também teria enfrentado problemas na recepção indoor de sinais WiMAX em clientes localizados a apenas 200 metros de distância da estação-base. Finalizando, o Sr. Freeman enfatizou que a empresa Buzz Broadband, apesar dos prejuízos sofridos com a tecnologia WiMAX, continuará ofertando seus serviços na região da Baía de Hervey na Austrália através de um sistema TD-CDMA operando em 1,9 GHz -o mesmo usado pela operadora Woosh Wireless da Nova Zelândia - e com sistemas WiFi-mesh em 2,4 GHz.
O acesso sem fios é de grande importância na região da Baía de Hervey, uma vez que cerca de 80% da população não pode ser atendida por ADSL porquê os cabos telefônicos são geralmente multiplexados ou possuem bobinas de pupinização. Além disso, há poucas portas ADSL nas centrais telefônicas, que já estão sendo utilizadas no seu limite máximo.
Como era natural, o pronunciamento do executivo da Buzz Broadband causou bastante tumulto na conferência. A empresa Internode, através do seu CEO Simon Hackett, disse logo depois que utiliza equipamentos da Airspan, com os quais consegue taxas de transmissão constantes de 6Mbps em enlaces de até 30km.
No dia 25 de março de 2008, dois dias após a exposição do Sr. Freeman, a empresa Airspan divulgou uma nota assinada pelo seu Gerente de Marketing, Sr. Declan Byrne, defendendo-se das acusações. Nesta nota afirmou ele que a empresa Buzz Broadband de fato adquiriu uma certa quantidade de equipamentos Airspan nos modelos MicroMAXd, ProST e EasyST, semelhantes aos que já foram vendidos e instalados em mais de 100 empresas. Mas afirma que a empresa Buzz Broadband teria optado pela montagem de uma estação-base na configuração micro-cell, com o intuito de reduzir os custos de investimento. Esta configuração, segundo a Airspan, não é apropriada para prover serviços VoIP. Também afirmou que o link de conexão externa disponibilizado pela Buzz Broadband estava sub-dimensionado e não apresentava a qualidade necessária para o serviço VoIP proposto, novamente numa tentativa de reduzir os custos operacionais.
A nota da Airspan acrecenta que apontou estas limitações para os técnicos da Buzz Broadband e propôs-se a contratar uma consultoria independente para sugerir as medidas que deveriam ser tomadas para que o serviço fosse ofertado com a devida qualidade. Afirmou que esta oferta de ajuda foi recusada pelos executivos da Buzz Broadband, que insistiram em operar os equipamentos com uma configuração não recomendada. Aponta portanto que tais fatos teriam levados a que o serviço ofertado aos clientes ficasse com uma qualidade abaixo do que seria desejável. Finalmente, a nota da Airspan lamenta que o principal executivo da Buzz Broadband tenha optado por expor os problemas técnicos de sua empresa de forma pública em um fórum internacional e coloca-se à disposição para propor soluções para que os equipamentos WiMAX vendidos para aquela empresa operem de forma satisfatória, como vem ocorrendo com centenas de outros clientes da Airspan ao redor do mundo.
A conclusão que se pode tirar deste episódio é educativa: uma nova tecnologia não pode ser encarada como uma "solução mágica" para todos os problemas. Na verdade adotar uma nova tecnologia significa enfrentar novos problemas, que devem ser solucionados de forma correta para se atingir os objetivos propostos. De fato, há diversas instalações WiMAX em funcionamento no mundo todo e que, sendo corretamente projetadas e instaladas, dão resultados plenamente satisfatórios. O Sr. Freeman tem razão em afirmar que "WiMAX pode não funcionar", mas com certeza irá funcionar se pudermos contar com a devida ENGENHARIA por trás da equipe de vendas!
Fonte: CommsDay

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