Atendimento através de WiFi em pequenas cidades cresce no Brasil
Diversos municípios brasileiros estão implementando redes sem fio gratuitas para que os seus cidadões tenham acesso à Internet. A solução é geralmente baseada em tecnologia WiFi: a Prefeitura instala um Access Point com uma antena omnidirecional em algum ponto elevado da cidade e interliga este equipamento com um link de alta velocidade, geralmente uma fibra óptica que atende à rede administrativa da própria Prefeitura.
Chega a notícia que a cidade de Tapira em Minas Gerais, que se anuncia como "a primeira cidade" a prover acesso à Internet gratuito através de um sistema WiFi. As datas tem que ser verificadas, pois ao que se conta a cidade paulista de Sud Mennucci fez a mesma coisa um pouco antes da cidade de Tapira (clique aqui para conhecer a rede WiFi de Sud Mennucci/SP).
Aqui vai a descrição do serviço na cidade de Tapira/MG:
Tapira é uma cidade pequena, mas com acesso à Internet para todos. E de graça.O acesso universalizado e gratuito à internet em banda larga é o sonho de muitas cidades brasileiras, principalmente as maiores, que podem investir fortemente em tecnologia. Mas é a pequena Tapira, no oeste de Minas Gerais e a 400 quilômetros de Belo Horizonte, que se orgulha de ter sido a primeira no País a cumprir este feito: desde o final de 2005, quando a prefeitura inaugurou um provedor municipal, todos os 1.184 km² do município são cobertos por um sinal Wi-Fi via rádio de 2,4 GHz em tempo integral. E ninguém paga nada para usar.
?Minha cidade foi a primeira no Brasil a oferecer gratuitamente a toda a população a internet banda larga 24 horas por dia. Basta que o cidadão tenha um computador e o kit (antena e placa) que ele tem acesso ao serviço totalmente digital, inclusive nas escolas municipais?, diz o chefe de gabinete da prefeitura, Rogério Neves.
Ironicamente, a iniciativa começou graças a um obstáculo: antes, Tapira dependia de um único provedor, que oferecia acesso discado a partir de Araxá, a 54 km de distância. Em 2002, o servidor parou de aceitar ligações interurbanas, o que cortou a conexão da cidade inteira. A opção mais próxima seria passar a fazer DDD para provedores em Uberaba ou Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o que sairia caro demais, tanto para os moradores quanto para os órgãos públicos.
?Naquela época, quase todos pararam de acessar. Como nossas chamadas eram interurbanas, ficamos sem acesso?, lembra o assessor de projetos da Prefeitura, Herculis Higor de Rezende, que idealizou o sistema.
A solução, então, foi radicalizar: criar um serviço local que atendesse a todos, e de graça. ?Montou-se um provedor de acesso dentro da Prefeitura. Todos os interessados apenas cadastram o número de sua placa wireless e assinam contrato que normatiza as responsabilidades sobre o acesso, e a utilização é liberada gratuitamente?, explica Rezende.
O serviço funciona desde novembro de 2005. Hoje, com apenas 3.600 habitantes, Tapira é uma cidade digital pioneira. A prefeitura estima que mais de 40% da população utiliza o serviço, e espera que o número aumente. Segundo Herculis Higor, o volume de crescimento de usuários cadastrados, do início até agora, foi ?fantástico?.
?Quando fomos implementar o projeto, fiz um estudo e detectei cerca de 50 PCs na cidade com capacidade de navegar. Em menos de um mês, o número de usuários cadastrados já era de 130. Hoje devemos ter cerca de 300 usuários domésticos numa cidade com cerca de 700 residências. É um alcance enorme?, constata.
Mesmo assim, segundo ele, a porcentagem utilizada em relação à capacidade da rede está sob controle. ?Tivemos um problema no início quando a procura foi acima do esperado, então aumentamos o link de forma que pudéssemos atender cerca de 70% das residências. Ainda há uma boa gordura pra queimar?, garante.
Para tornar-se uma cidade digital, Tapira pagou um preço muito baixo: ao todo, a prefeitura desembolsa R$ 7,9 mil por mês em manutenção, em um serviço terceirizado, além dos R$ 5 mil gastos na instalação. Todo o valor é pago pelo município, sem fontes externas de financiamento.
Com o acesso mais veloz e mais barato, a administração municipal adotou logo os recursos digitais para agilizar e organizar melhor as contas públicas, além da divulgação de normas e atos oficiais.
?Hoje a Prefeitura Municipal tem seu site próprio, o setor de finanças tem maior controle das contas bancárias, maior facilidade para conseguir certidões e transmitir dados de prestações de contas. A administração passou a ser mais transparente, por ter seus atos publicados num veículo de domínio bastante aberto como a internet, e a cobrança da população passou a chegar mais rápido?, afirma o assessor municipal.De acordo com Rezende, o impacto na vida dos tapirenses foi imediato: mudaram não só procedimentos comerciais e administrativos, como também velhos hábitos de uma cidade majoritariamente rural.
?A população passou a ser mais interativa, mais bem informada, e o PC passou a ser um acessório indispensável para todas as atividades. Em vez de bilhetes, agora mandamos e-mails. O comércio de uma cidade pequena como a nossa não conta com muitas facilidades físicas, mas com a internet ficou fácil pagar uma duplicata que venceria, consultar um saldo de um banco que não possui agência aqui, visitar os sites da cidade para acompanhar noticias, ou consultar um número de telefone na lista online da operadora ? que não enviava listas impressas há alguns anos?, conta.
A Câmara Municipal acaba de inaugurar seu novo portal , que inclui notícias e previsão meteorológica em tempo real. O espaço ampliou a transparência do legislativo local, permitindo a publicação de atas, projetos de lei e moções em tramitação, e abrindo um canal direto de comunicação com a população. O Sindicato dos Produtores Rurais de Tapira (Sirut) também montou um site próprio, que inclui serviços como cotações atualizadas de produtos agropecuários. E até a publicação de fotos de eventos, como o aniversário da cidade e a feira agropecuária, ficou mais fácil e rápida.?O impacto de uma ação como esta numa cidade pequena é impressionante; os sites passam a fazer o papel dos jornais e televisões, que seriam muito caros para serem implementados?, diz Herculis Higor de Rezende.
Em uma cidade onde até hoje existe apenas um jornal de circulação mensal, a internet universalizada serve também como meio de comunicação comunitária, além de facilitar a transparência da gestão pública.
Mas os gestores municipais tapirenses têm consciência de que só o acesso não faz milagres. Apesar de contarem com o sinal gratuito, muitos dos habitantes de Tapira não têm sequer computador em casa. Por isso, a Câmara abriu um centro de pesquisas na internet para alunos das escolas municipais e particulares, em parceria com a associação de estudantes local. Trata-se de um laboratório com dois computadores com conexão em banda larga e uma impressora a laser. Assim como o Wi-Fi, o uso do centro de pesquisas é gratuito.
?Minha cidade foi a primeira no Brasil a oferecer gratuitamente a toda a população a internet banda larga 24 horas por dia. Basta que o cidadão tenha um computador e o kit (antena e placa) que ele tem acesso ao serviço totalmente digital, inclusive nas escolas municipais?, diz o chefe de gabinete da prefeitura, Rogério Neves.
Ironicamente, a iniciativa começou graças a um obstáculo: antes, Tapira dependia de um único provedor, que oferecia acesso discado a partir de Araxá, a 54 km de distância. Em 2002, o servidor parou de aceitar ligações interurbanas, o que cortou a conexão da cidade inteira. A opção mais próxima seria passar a fazer DDD para provedores em Uberaba ou Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o que sairia caro demais, tanto para os moradores quanto para os órgãos públicos.
?Naquela época, quase todos pararam de acessar. Como nossas chamadas eram interurbanas, ficamos sem acesso?, lembra o assessor de projetos da Prefeitura, Herculis Higor de Rezende, que idealizou o sistema.
A solução, então, foi radicalizar: criar um serviço local que atendesse a todos, e de graça. ?Montou-se um provedor de acesso dentro da Prefeitura. Todos os interessados apenas cadastram o número de sua placa wireless e assinam contrato que normatiza as responsabilidades sobre o acesso, e a utilização é liberada gratuitamente?, explica Rezende.
O serviço funciona desde novembro de 2005. Hoje, com apenas 3.600 habitantes, Tapira é uma cidade digital pioneira. A prefeitura estima que mais de 40% da população utiliza o serviço, e espera que o número aumente. Segundo Herculis Higor, o volume de crescimento de usuários cadastrados, do início até agora, foi ?fantástico?.
?Quando fomos implementar o projeto, fiz um estudo e detectei cerca de 50 PCs na cidade com capacidade de navegar. Em menos de um mês, o número de usuários cadastrados já era de 130. Hoje devemos ter cerca de 300 usuários domésticos numa cidade com cerca de 700 residências. É um alcance enorme?, constata.
Mesmo assim, segundo ele, a porcentagem utilizada em relação à capacidade da rede está sob controle. ?Tivemos um problema no início quando a procura foi acima do esperado, então aumentamos o link de forma que pudéssemos atender cerca de 70% das residências. Ainda há uma boa gordura pra queimar?, garante.
Para tornar-se uma cidade digital, Tapira pagou um preço muito baixo: ao todo, a prefeitura desembolsa R$ 7,9 mil por mês em manutenção, em um serviço terceirizado, além dos R$ 5 mil gastos na instalação. Todo o valor é pago pelo município, sem fontes externas de financiamento.
Com o acesso mais veloz e mais barato, a administração municipal adotou logo os recursos digitais para agilizar e organizar melhor as contas públicas, além da divulgação de normas e atos oficiais.
?Hoje a Prefeitura Municipal tem seu site próprio, o setor de finanças tem maior controle das contas bancárias, maior facilidade para conseguir certidões e transmitir dados de prestações de contas. A administração passou a ser mais transparente, por ter seus atos publicados num veículo de domínio bastante aberto como a internet, e a cobrança da população passou a chegar mais rápido?, afirma o assessor municipal.De acordo com Rezende, o impacto na vida dos tapirenses foi imediato: mudaram não só procedimentos comerciais e administrativos, como também velhos hábitos de uma cidade majoritariamente rural.
?A população passou a ser mais interativa, mais bem informada, e o PC passou a ser um acessório indispensável para todas as atividades. Em vez de bilhetes, agora mandamos e-mails. O comércio de uma cidade pequena como a nossa não conta com muitas facilidades físicas, mas com a internet ficou fácil pagar uma duplicata que venceria, consultar um saldo de um banco que não possui agência aqui, visitar os sites da cidade para acompanhar noticias, ou consultar um número de telefone na lista online da operadora ? que não enviava listas impressas há alguns anos?, conta.
A Câmara Municipal acaba de inaugurar seu novo portal , que inclui notícias e previsão meteorológica em tempo real. O espaço ampliou a transparência do legislativo local, permitindo a publicação de atas, projetos de lei e moções em tramitação, e abrindo um canal direto de comunicação com a população. O Sindicato dos Produtores Rurais de Tapira (Sirut) também montou um site próprio, que inclui serviços como cotações atualizadas de produtos agropecuários. E até a publicação de fotos de eventos, como o aniversário da cidade e a feira agropecuária, ficou mais fácil e rápida.?O impacto de uma ação como esta numa cidade pequena é impressionante; os sites passam a fazer o papel dos jornais e televisões, que seriam muito caros para serem implementados?, diz Herculis Higor de Rezende.
Em uma cidade onde até hoje existe apenas um jornal de circulação mensal, a internet universalizada serve também como meio de comunicação comunitária, além de facilitar a transparência da gestão pública.
Mas os gestores municipais tapirenses têm consciência de que só o acesso não faz milagres. Apesar de contarem com o sinal gratuito, muitos dos habitantes de Tapira não têm sequer computador em casa. Por isso, a Câmara abriu um centro de pesquisas na internet para alunos das escolas municipais e particulares, em parceria com a associação de estudantes local. Trata-se de um laboratório com dois computadores com conexão em banda larga e uma impressora a laser. Assim como o Wi-Fi, o uso do centro de pesquisas é gratuito.



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